sexta-feira, 18 de maio de 2012
Parque Natural da Serra de São Mamede
O Parque Natural da Serra de São Mamede (PNSSM) é uma área protegida portuguesa, situada na região fronteiriça do nordeste Alentejano. Ocupa uma área aproximada de 55.524 ha, distribuídos por quatro concelhos do distrito de Portalegre:
Portalegre /
Castelo de Vide /
Marvão /
Arronches /
A zona sul do parque apresenta um relevo suave e ondulado, com uma altitude que varia entre 300 e 400 m. O Patamar de Portalegre, que se situa a uma altitude de 400 a 500 m, forma uma espécie de degrau que sobressai da zona sul do parque. Constitui uma zona de transição entre a paisagem tradicional alentejana e a serra.
A serra propriamente dita, que se situa na sua maioria a norte e centro da área do parque, com altitudes superiores a 800 m, é uma zona marcada paisagisticamente pelo atravessamento de cristas quartzíticas e por relevos proeminentes.
A criação do Parque Natural marca, em consonância com o seu património natural e paisagístico, o início de um processo de restauro dos sistemas agrícolas tradicionais da serra, em degradação desde finais do século XIX pelas campanhas cerealíferas.
A agricultura continua a ser a actividade económica dominante nesta região.
Na zona mais serrana, a norte, predomina a pequena e média propriedade, com uma utilização diversificada que resulta da consequente compartimentação do espaço: carvalhais, soutos e montados de sobro, alternando com olivais, pinhais e eucaliptais, e o sequeiro alternando com pequenos regadios e matos, nos terrenos de maior altitude.
A sul, a pequena e média propriedade é substituída pela grande propriedade, predominando a agricultura extensiva de sequeiro, por vezes em associação com o montado de sobro e azinho e a criação de gado.
Clima /
As características morfológicas do PNSSM influenciam o tipo de clima existente na região. Este apresenta um período seco acentuado no Verão e um Inverno frio e chuvoso, situação que ocorre devido à sua elevada altitude, que faz com que a serra sofra uma influência continental ibérica e uma atlântica.
As linhas de maior altitude da serra têm uma orientação NW-SE o que leva a que as encostas viradas a S-SE sejam quentes e secas enquanto as encostas a N-NW sejam frias e húmidas. Os ventos dominantes são os de quadrante norte, noroeste e oeste, que atenuam o calor e secura estivais mantendo as chuvas mais abundantes.
A acção do ar marinho leva a que haja uma menor amplitude térmica e maior precipitação anual em relação à zona envolvente.
A posição geográfica e topográfica da Serra de São Mamede faz dela a mais elevada a sul do Tejo, assim combinando as altitudes com as diferentes exposições, sendo possível encontrar espécies vegetais com características mediterrâneas, atlânticas e centro-europeias.
Além disso a serra constitui o limite sul de Portugal para algumas plantas comuns de carácter atlântico e o limite sudoeste da Europa para a distribuição de algumas espécies.
Flora do parque /
Carvalho-negral /
Encontram-se assim áreas edafoclimáticas muito distintas que se associam a unidades de paisagem diferenciadas: - Nas encostas viradas a norte, mais frescas e húmidas, estamos em presença de condições marcadamente atlânticas. Teríamos como vegetação clímax o domínio de:
Carvalho-negral (Quercus pyrenaica) /
Todavia, estes foram inicialmente substituídos, por acção antropogénica, por:
Castanheiros (Castanea sativa) /
Pinheiro-bravo (Pinus pinaster) /
Os matos são dominados por /
Estevas (Cistus hirsutus, Cistus psilosepalus) /
Tojo (Ulex minor) /
Nas encostas viradas a sul, mais quentes, a panorâmica é bem diferente uma vez que o clima é marcadamente mediterrâneo, sendo a espécie dominante:
Sobreiro (Quercus suber) /
Os matos dominantes são xarais mediterrâneos dominados por:
Esteva (Cistus ladanifer) /
Nas zonas limites do Parque encontramos um tipo de vegetação tipicamente mediterrânea com predominância de:
Sobro (Quercus suber) /
Azinho (Quercus rotundifólia) /
Pastagens /
Na área do Parque encontram-se diversas espécies rupícolas e casmófitas, de habitats rochosos ao longo das cristas e dos afloramentos rochosos. Evidencia-se:
Armeria (Franesi) /
Silene acutifolia /
Linaria sexatilis /
Umbilicus heilandianus /
Narcisus /
Pseudonarcisus /
Cheilanthus hispanica /
Em menor altitude surgem espécies típicas como:
Viscum cruciatum /
Euphorbia welwitschii /
Euphorbia matritensis /
Euphorbia micaensis /
Daucus setifolius /
Lamium bifidum.
Fauna do parque /
Toda a variedade de biótopos que caracteriza o PNSSM associada aos diversos tipos de habitats, proporciona uma grande riqueza faunística. /
A área do parque é de grande importância a nível ornitológico, tanto no território nacional como da Península Ibérica, fazendo parte da rota migratória de muitas espécies de aves entre a Europa e a África. Foram inventariadas pelo Atlas das Aves do PNSSM cerca de 150 espécies em que 40 nidificam no Parque, das quais se destacam espécies com estatuto de conservação da natureza, como é o caso de:
Águia-de-bonelli (Hieraaetus fasciatus) /
Grifo (Gyps fulvus) /
Abutre-preto (Aegypius monachus) /
Águia-de-bonelli /
Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus) /
Chasco-preto (Oenanthe leucura) /
Milhafre (Milvus migrans) /
Bufo-real (Bubo bubo) /
Águia-cobreira (Circaetus gallicus) /
Gavião-da-europa (Accipiter nisus) /
Peneireiro-cinzento (Elanus caeruleus) /
Perdiz-comum (Alectoris rufa) /
Melro-preto (Turdus merula) /
Chapim-preto (Parus ater) /
Chapim-real (Parus major) /
Chapim-azul (Parus caeruleus) /
Chapim-rabilongo (Aegithalos caudatus) /
Gaio-comum (Garrulus glandarius) /
Cartaxo-comum (Saxicola torquata) /
Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) /
Quanto à mamofauna temos a presença de espécies como:
Lontra (Lutra lutra) /
Rato-de-cabrera (Microtus cabrerae) /
Quanto aos mamíferos mais comuns temos:
Texugo (Meles meles) /
Toirão (Mustela putorius) /
Doninha (Mustela nivalis) /
Sacarrabos (Herpestres ichneumeon) /
Geneta (Genetta genetta) /
Gato-bravo (Felis silvestris) /
Raposa (Vulpes vulpes) /
Coelho-bravo (Oryctolalus cuniculus) /
Javali (Sus scrofa) /
Fuínha (Martes foina) /
Lebre (Lepus capensis) /
Veado (Cervus elaphus) /
Na antiga mina de chumbo da Cova da Moura, bem como em grutas calcárias, encontram-se importantes colónias de:
Quirópteros (morcegos)/
sendo aquela considerada uma das mais importantes da Europa. /
Existe ainda nesta área a presença de numerosos anfíbios e répteis de entre os quais se destacam: /
Lagarto-de-água (Lacerta schreiberi ) /
Sapo-parteiro-ibérico (Alytes cisternasii ) /
Tritão-ibérico (Triturus boscai ) /
Cágados (Emys orbicularis e Mauremys caspica) Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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